Gaspar Nóbrega, Jonne Roriz e Miriam Jeske/COB, Toby Melville e Thomas Peter, Reuters, Oli Scarff e Stephane de Sakunin/AFP
Acabaram os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Depois de 16 dias de medalhas emocionantes e muita disputa os jogos terminaram com uma cerimônia exaltando a esperança em dias melhores. A organização do evento trouxe momentos marcantes do evento e os porta bandeiras dos países entraram juntos e aglomerados no estádio olímpico praticamente vazio. Nossa rainha da ginástica Rebeca Andrade carregou a bandeira do Brasil com orgulho e ela ganhou a companhia do pugilista medalha de ouro Hebert Conceição. O gramado foi invadido com alegria e muitas selfies. Logo depois a música tomou conta da festa com homenagem aos habitantes de Tóquio que desta vez não tiveram contato com os atletas por conta do distanciamento social. O hino da Grécia, berço dos jogos foi tocado dando início as últimas cerimônias com as premiações da maratona masculina e feminina. Os voluntários também foram homenageados pelo trabalho na olimpíada. Depois veio a "passagem de bastão". Em Paris milhares de pessoas estiveram na Torre Eiffel assistindo ao evento. A bandeira olímpica foi passada das mãos de Yuriko Koike, governadora de Tóquio para Thomas Bach, presidente do COI e depois para Anne Hidalgo, prefeita de Paris. Após a execução da Marselhesa começou a apresentação de Paris. O vídeo trouxe atletas em pontos famosos como o Arco do Triunfo, a praça da Concórdia, a catedral de Notre Dame e a Torre Eiffel apresentando novidades como o breakdance e o BMX. Mesmo em meio à uma maldita pandemia o empenho dos atletas foram exaltados tanto por Seiko Hashimoto, presidente do Comitê Organizador dos Jogos como por Thomas Bach que declarou encerrados os jogos. Depois de 17 dias a chama olímpica foi apagada simbolizando o fim dos jogos de Tóquio.
E aqui coloco ponto final nessa cobertura especial do Blog de knunes e também do Missão Tóquio que encerra suas postagens. O espírito olímpico agora está na França, mas tem mais por aí. No blog de knunes acompanharemos as Paralimpíadas que começam daqui a 16 dias e até 26 de juhlo de 2024 faltam 1083 dias para o mundo se reencontrar em Paris e esperamos todos nós que essa pandemia chegue ao fim para voltarmos a ver a alegria do público celebrando a vida. Obrigado Japão e Arigatô Tóquio 2020!
No ano que completou 100 anos de participação olímpica o Brasil alcança em Tóquio sua maior campanha num desempenho espetacular figurando na 12ª posição geral.
Tudo fruto de investimentos menores em razão da pandemia por ter sido um dos países mais afetados pela tragédia da Covid. Apesar disto o país melhorou uma posição em relação aos jogos de 2016 quando sediou o evento.
A entrada de novos esportes como o skate e o surfe foram determinantes para o aumento de medalhas. Com o ouro de Ítalo Ferreira e as pratas de Kelvin Hoefler, Rayssa Leal e Pedro Barros esses esportes ajudaram o país a obter o recorde. O boxe é outro esporte que vem ganhando medalha com frequência e isso vem desde Londres. Nos jogos de Tóquio foram três medalhas, uma de cada cor. Esta foi a olimpíada da mulher brasileira que brilhou mais que nunca. Por 9 vezes elas subiram ao pódio superando as 5 vezes da Rio 2016.Por outro lado esportes de tradição como o vôlei ficaram devendo. O esporte obteve apenas uma medalha de prata na quadra, já na areia o desempenho foi ruim e pela primeira vez desde 1996 o país não subiu ao pódio na modalidade.
Dentre os atletas o grande destaque foi Rebeca Andrade, nossa rainha na ginástica ganhando duas medalhas se tornando a primeira mulher a medalhar mais vezes numa só olimpíada. Isaquias Queiroz conseguiu o ouro que faltava e com sua quarta medalha igualou - se a Gustavo Borges e Serginho e está a uma de igualar Robert Scheidt. E como toda olimpíada medalhas inesperadas surgiram como a das duplas femiminas que só entraram nos jogos devido à desistências. Também tivemos decepções de atletas tarimbados como a skatista Pâmela Rosa que chegou credenciada como favorita, mas lesionou o tornozelo e ficou de fora da final e Gabriel Medina que foi notícia mais pelas polêmicas que pelo desempenho.
E como em toda olimpíada que termina velhos clichês são lembrados: massificar o esporte olímpico, estruturar a formação de atletas e união de entidades e governo federal pra aplicar verbas e formular estratégias, mas com o governo que temos acho muito difícil. E agora temos um novo ciclo, mais curto pela frente até Paris.
A Olimpíada mais atípica da história chega ao fim. Tóquio 2020 entra pra história como a olimpíada que superou desafios e mostrou mais que nunca que o mundo está mais forte em meio à pandemia angustiante.
Esta edição de Jogos Olímpicos ficou marcante pela ausência de público nas arenas. Foram poucos os eventos que tivemos presença de público. A desgraçada pandemia que ainda não acabou impôs restrições sanitárias e rígidos protocolos seguidos por todos, seja na Vila Olímpica, seja nas arenas. Mesmo sem torcida a energia que os atletas sentiram pelas redes sociais ajudaram a superar esse momento.
E o que dizer do drama da ginasta Simone Biles? A estrela da ginástica mundial revelou ser humana ao revelar sofrer uma enorme pressão quando desistiu de competir em três finais num ato de coragem aplaudido por todos.
A olimpíada é a celebração da vida e um exemplo disso foi a demonstração de amizade de dois atletas que dividiram o ouro no salto em altura.
Além disso tivemos provas épicas no atletismo como a dos 400 m com barreiras masculina, prova do bronze do nosso Alisson dos Santos com direito à quebra de recordes pessoais.
No mais fica aqui o agradecimento a todos os atletas que representaram bem seus países com orgulho e demonstraram que essa tempestade vai passar.
O último dia de olimpíada para o Brasil terminou com o gosto amargo da prata, mas doce com a melhor campanha olímpica em todos os tempos superando o feito do Rio. Faltou pouco pra entrar no Top 10 mas é mais um passo para o país se tornar uma potência olímpica.
Pilar Olivares/Reuters
O vôlei feminino do Brasil passou por um ciclo complicado e chegou à Tóquio sem ser favorita à medalha, mas fez uma campanha brilhante e na final não foi páreo pra equipe dos Estados Unidos. As americanas fizeram uma partida estupenda e venceram a partida com um 3 x 0 (25/21, 25/20 e 25/14) conquistando seu primeiro ouro no vôlei feminino tendo à frente o lendário Karch Kiraly, campeão olímpico em 1984 na quadra e em 1996 na praia. À essas meninas e ao lendário José Roberto Guimarães os nossos agradecimentos e o reconhecimento pela campanha. E com isso jogadoras como Camila Brait, Fernanda Garay e Carol Gattaz devem se aposentar da seleção e uma nova geração vem aí pra manter o país forte apesar de não vir o ouro tanto na quadra como na areia. O vôlei ficou devendo em Tóquio.
Jonne Roriz/COB e Luís Robayo/AFP
No boxe a brasileira Beatriz Ferreira perdeu a final dos leves (até 60 kg) para a irlandesa Kellie Harrington por decisão unânime dos juízes. A luta foi franca e equilibrada e a irlandesa, campeã mundial em 2018 levou a melhor nos detalhes. A medalha de prata é o melhor resultado na história do boxe feminino e o boxe brasileiro termina a Olimpíada com três medalhas, uma de cada cor e entra definitivamente na lista dos esportes cotados à medalha.
Giuseppe Cacace/AFP
O último dia ainda teve a disputa da maratona masculina. Sob forte calor em Sapporo vários atletas desistiram entre eles os brasileiros Daniel Chaves e Daniel do Nascimento que chegou a liderar a prova, mas na metade da disputa passou mal, tentou voltar mas caiu. O ouro ficou com o Quênia. Eliud Kipchoge confirmou o favoritismo e venceu a prova sendo bicampeão olímpico, a medalha de prata foi pro holandês Adib Nageye e o bronze pro belga Bashir Abdi. O único brasileiro que completou a prova foi Paulo Roberto de Paula que terminou na 69ª posição.
Eric Gay/AFP
No basquete feminino a seleção dos Estados Unidos sobrou e conquistou seu sétimo título seguido ao vencer a seleção do Japão, país anfitrião por 90 x 75 chegando a incríveis 55 vitórias numa invencibilidade que dura 29 anos. A medalha de bronze ficou com a França que bateu a Sérvia por 91 x 76.
Thomas Peter/Reuters
E agora senta que lá vem polêmica. O COB não gostou da atitude da CBF de não ter usado o agasalho da Peak, empresa fornecedora do uniforme na premiação do futebol onde os jogadores amarraram os casacos na cintura e vestiram o uniforme da Nike, patrocinadora da CBF. A atitude gerou fortes críticas, uma delas do medalhista de bronze Bruno Fratus que chamou de alienados a entidade que gere o futebol e os jogadores.
Além de celebrar a melhor campanha olímpica em todos os tempos o Brasil tem outro motivo de orgulho, o país não registrou um caso sequer de Covid-19. Durante toda a competição 436 casos foram registrados e 150 estrangeiros sendo 33 atletas testaram positivo pra Covid.
Com o fim das competições o quadro final de medalhas ficou assim:
1º
Estados UnidosEUA
39
41
33
113
2º
ChinaCHN
38
32
18
88
3º
JapãoJAP
27
14
17
58
4º
Grã-BretanhaGBR
22
21
22
65
5º
Comitê Olímpico RussoCOR
20
28
23
71
6º
AustráliaAUS
17
7
22
46
7º
HolandaHOL
10
12
14
36
8º
FrançaFRA
10
12
11
33
9º
AlemanhaALE
10
11
16
37
10º
ItáliaITA
10
10
20
40
11º
CanadáCAN
7
6
11
24
12º
BrasilBRA
7
6
8
21
Click olímpico do dia
Nosso último click desta olimpíada é uma homenagem aos atletas brasileiros que fizeram em Tóquio a melhor campanha em todos os tempos numa edição de Jogos Olímpicos conquistando 21 medalhas terminando na 12ª posição superando o 13º do Rio em 2016. Parabéns aos atletas do Time Brasil pelo feito e que venham muito mais medalhas em Paris daqui a três anos.
Nossa cobertura não acabou. Ainda hoje um balanço dos jogos, a participação brasileira e a cerimônia de encerramento.
Um sábado pra lá de histórico para o esporte brasileiro com três ouros históricos que igualam nossa maior coleta dourada na história e faz de Tóquio 2020 a maior e melhor campanha olímpica em todos os tempos.
O bicampeonato de ouro do futebol
Divulgação COI, Stoyan Nemov e Abdallah Amr Dalsh/Reuters, Vincenzo Pinto e Anne Christine Poujoulat/AFP
Respeitem antes de tudo essa camisa pesada. Foi sofrido, mas valeu. O futebol masculino do Brasil se sagrou bicampeão olímpico derrotando a Espanha na prorrogação e mais uma vez o estádio de Yokohama virou salão de festas de nosso futebol como no penta e nos títulos mundiais de clubes. O jogo em si foi sofrido. O Brasil poderia ter aberto o placar quando o VAR confirmou pênalti, mas Richarlison que foi mal o jogo todo isolou a cobrança, mas antes do fim do primeiro tempo Matheus Cunha abriu o placar. Na segunda etapa a Espanha foi pra cima e chegou ao empate com Oyazabal.
Isaquias finalmente chegou lá
André Durão/ge, AFP e Maxim Shemetov/Reuters
Ele já era o maior medalhista brasileiro em uma só edição olímpica ganhando três medalhas na Rio 2016 e no final da noite de ontem, manhã japonesa Isaquias Queiroz voltou a fazer história conquistando a tão sonhada e desejada medalha de ouro na canoagem de velocidade no C1 1000 m com o tempo de 4m04s408. Quarta medalha olímpica da carreira desse fenomenal atleta que deu a volta por cima depois da frustração de não subir ao pódio no C2 1000 m e a consagração definitiva de um dos maiores nomes do esporte brasileiro em todos os tempos se igualando à Gustavo Borges e Serginho com quatro pódios e colando em Robert Scheidt que tem cinco conquistas. O canoísta demonstrou humildade e dedicou a conquista ao espanhol Jesús Morlan, morto em 2018, o descobridor de seu talento e às vítimas da Covid- 19. Além de ser especial ele ganhou o reconhecimento dos adversários, entre eles seu grande rival, ídolo e amigo Sebastian Brendel que o reverenciou pela conquista, pois o filho de Isaquias é uma homenagem ao alemão que não se classificou pra final da prova.
Um ouro vindo na bacia das almas no boxe
Fotos de Ueslei Marcelino/Reuters
O segundo ouro do dia veio do ringue. O baiano Hebert Conceição estava perdendo a luta da medalha de ouro para o ucraniano Oleksandr Khznyak que vencia por decisão unânime e partiu pro tudo ou nada no terceiro round e com menos de um minuto encaixou um cruzado de esquerda que derrubou o ucraniano. Nocaute que valeu o ouro, o segundo da história do boxe brasileiro que vem em franca ascensão desde Londres 2012. Nas últimas três olimpíadas foram sete medalhas de nossos pugilistas.
Getty Images
E em meio às alegrias uma tristeza. O vôlei masculino do Brasil ficou sem medalha. Demonstrando apatia na maor parte do jogo o time sentiu a derrota pro time do Comitê Olímpico Russo na semifinal e perdeu pra eterna rival Argentina por 3 sets a 2 (25/23, 20/25, 20/25, 25/23 e 15/13). Pela primeira vez desde Sydney que o Brasil fica de fora do pódio olímpico onde ganhou dois ouros e duas pratas, por outro lado a Argentina repete o bronze que ganhou em Seul 1988. O ouro ficou com a França pela primeira vez ao derrotar o Comitê Olímpico da Rússia por 3 sets a 2.
O desempenho dos outros brasileiros
Reuters
- Kawan Pereira fez história e terminou a final da plataforma 10 m na 10ª posição. O atleta de apenas 19 anos obteve a pontuação de 393.85
Alkis Konstantinidis/Reuters
- A equipe de saltos terminou a final na sexta posição. O ouro ficou com a Suécia no desempate diante dos Estados Unidos.
Brian Snyder/Reuters
Os Estados Unidos mantiveram a hegemonia no basquete masculino ao conquistar o quarto título seguido e o 16º na história ao vencerem a França na final por 87 a 82. O destaque da conquista foi Kevin Durant que marcou 29 pontos no jogo sendo o cestinha da partida. A medalha de bronze ficou com a Austrália que derrotou a Eslovênia de Luka Doncic por 107 x 93.
Quadro de medalhas
PAÍS
1º
ChinaCHN
38
31
18
87
2º
Estados UnidosEUA
36
39
33
108
3º
JapãoJAP
27
12
17
56
4º
Comitê Olímpico RussoCOR
20
25
23
68
5º
Grã-BretanhaGBR
20
21
22
63
12º Brasil
BrasilBRA
7
4
8
19
Click olímpico do dia
Lucas Figueiredo/CBF, Mirian Jeske/COB e Ueslei Marcelino/Reuters
Hoje são três imagens: três imagens de um dia histórico, 7 de agosto de 2021, o dia que o Brasil fez história fazendo de Tóquio 2020 nossa maior olimpíada. O bicampeonato do futebol, o ouro inédito de Isaquias Queiroz e o ouro suado de Hebert Conceição são históricos e o Brasil tem orgulho de vocês.
Amanhã, último dia das Olimpíadas o resumo do último dia de competições, o balanço dos jogos, os destaques da campanha brasileira e a cerimônia de encerramento fechando nossa cobertura especial desta olimpíada que vai ficar marcada na história.